
Dan Tratchenberg… esse é o nome do responsável por um dos mais bens sucedidos processos recentes de revitalização da franquia Predador.
Predador é um marco da cultura pop, mas suas continuações nunca estiveram à sua altura, quando em 2022, Tratchenberg entregou o excelente Predador: A Caçada.
O filme foi um sucesso de Crítica com uma história com novas nuances, que considera os dois primeiros filmes como canônicos, e esquece os demais, valorizando aspectos da mitologia do Predador, até enfatizadas apenas em seu Universo expandido.
Dito isso, em 2025 a franquia uma animação, Predador: Assassino e Assassinos, também sob o comando de Tratchenberg, que foi uma das melhores produções do ano passado, além de conectar num único arco, o primeiro e segundo filme juntamente com A Caçada.

Esse breve resumo serve para o entendimento do leitor para minha expectativa alta para Predador: Terras Selvagens
E de fato minhas expectativas foram totalmente satisfeitas.
Terras Selvagens, parte da inédita proposta de contar uma história a partir do ponto de vista de um predador. E não é só ter um Yautja como protagonista, é um Yautja diferente, bem menos confiante, fisicamente mais fraco, e numa posição de ter que se provar diante do seu clã.
Esse é o cenário em que conhecemos Dek, que parte nessa jornada de provação, assombrado por um trauma de família e motivado pelo desejo de vingança.
Dek é jovem, inseguro e inexperiente, e parece muito aquém da objetivo que se propõe a realizar. Longe do aspecto ameaçador de outros Predadores da Franquia, Dek é até fisicamente muito diferente dos alienígenas que acostumamos a ver no cinema.
De modo que ao longo do filme, vamos acompanhar as experiencias do protagonista, e sua jornada de transformação, motivado não pelas questões de honra e força que regem sua raça, mas por sentimentos muito mais familiares, como amor, amizade e companheirismo, sem que seu objetivo seja esquecido ou deixado de lado.
Tratchenberg entende não só o personagem e a mitologia que o cerca, mas entende como essas relações de poder e brutalidade são permeadas por outras relações, por laços de amizade, confiança e família e como isso pode ser uma força e não uma fraqueza, numa abordagem inédita para um protagonista inédito para a franquia.
A história do filme é situada em algum ponto do nosso futuro, e o que o filme faz para nos situar nesse futuro? Atrela a mitologia de outro monstro icônico do cinema: o Alien.
A Weyland-Yutani, a famosa mega corporação da Franquia Alien, é parte importante na história desse filme, sobretudo na presença de dois androides, Tessa e Thia, ambas do mesmo modelo do androide sintético David, interpretado por Michael Fassbender em Prometheus e Alien Covenant.
Aqui fazemos uma pausa nos conceitos da história para falarmos de Elle Fanning. A atriz que esse ano está indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante, dá um show de carisma e competência, com atuações bem diferentes na interpretação, mais iguais na excelência interpretando Tessa e Thia.
Enquanto uma é a antagonista fria, um androide no sentido simples da palavra, sem sentimentos ou empatia, focada somente em executar a sua missão, a outra é estranhamente humana, nos quais justamente os seus sentimentos que movem suas ações e tem muita importância na movimentação da trama.
A construção de mundo, é outro ponto onde filme brilha, a caçada na selva é uma tradição da franquia mantida nesse filme, com diferencial de termos uma fauna e flora alienígena crível, você realmente compra que naquele cenário alienígena e desconhecido a fauna pode realmente ser da maneira como o filme expõe.
E se você não se recorda criar biomas alienígenas criveis não é uma tarefa fácil, nem todo mundo tem a criatividade de James Cameron com Avatar, dependendo das suas escolhas pode dar muito errado, basta lembrarmos por exemplo de Depois da Terra, ou mesmo em Predadores, filme que tentou ressuscitar franquia Predador, mas que não deu muito certo.
Os Efeito Visuais também merecem uma nota nesse texto, já que além da qualidade por si só, algo muito importante considerando a natureza do filme construído visualmente na sua maior parte na famosa “tela verde”, cabe destacar os ótimos efeitos no rosto do Predador.
Quem dá vida a Dek é o ator Dimitrius Schuster-Koloamatangi, que entrega uma Predador muito, mas muito expressivo, fruto da união de uma ótima atuação de Dimitrius na captura facial, com um trabalho louvável de efeitos visuais que dão muita verdade as expressões do Predador.
Da mesma forma a trilha sonora de Benjamin Wallfisch segue o mesmo nível de qualidade de todo o filme, cumprindo muito bem seu papel de transmitir e enfatizar as emoções vistas em cena.
Mas sem dúvida, o maior destaque de Predador Terras Selvagens, ao meu ver, é o seu realizador Dan Tratchenberg. É correto dizer que ele entende muito do universo e da mitologia que compõem essa franquia, e consegue explorar questões que até então sequer haviam sido consideradas em produções anteriores.
Mais do que isso ele sequer repete formula, expande o universo com três produções, muito diferentes entre si, sobretudo em suas propostas, chegando ao ponto derradeiro de desconstrução do mito do Caçador implacável.
Corre riscos claro, mas o caminho se torna seguro à medida que o roteiro é amarrado, as discussões são bem trabalhadas, as relações corretamente estabelecidas, sem abrir mão da violência e da ação exagerada, marcas registradas dessa série de filmes.
Predador Terras Selvagens é o melhor filme da Franquia Predador desde o clássico de 1987, a decisão corajosa de colocar um Yautja como protagonista rende uma ótima história, sobre aceitação, amizade, honra, tradição e pertencimento, porém a essência da caçada brutal, do terror e da violência ainda estão lá.
Em tempos de pouca criatividade e muitas repetições de ciclos, este é um exemplo irretocável de como uma franquia deve ser revitalizada

Sobre o Autor
Membro vitalício da Ordem dos Dúnedain, está nesse negócio de nerdices e Cultura Pop muito antes de Canção dos Ainur ser cantada. Criador desse espaço como ponto de exposição e opinião de tudo o que rola no Universo da Cultura Pop, além de exercitar seu amor pelo Cinema, Quadrinhos, Games e muito mais...











