A história planejada por James Cameron a princípio pensada em cinco filmes, chega ao seu terceiro Longa , com a tarefa de superar os pontos negativos de seu antecessor, o Caminho da Água (2022) e não foram poucos!
Retomamos a história exatamente do ponto em que a deixamos em o Caminho da Água, com a Família Sully processando o luto do seu primogênito, ao passo que o incansável Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) firma uma aliança terrível com o Povo das Cinzas.
Esses são uma nova tribo muito mais cruel, violenta e conflituosa do que as que já conhecemos, liderada pela maligna Varang (Oona Chaplin).
E posso estar “chovendo no molhado”, mas não existe uma maneira de falar de Avatar Fogo e Cinzas, sem tecer diversos elogios aos aspectos visuais do filme.
Os cenários, paisagens, fauna, flora, enfim a vida em Pandora deslumbra o espectador, tanto por sua beleza encantadora, quanto pela riqueza de detalhes
No segundo filme, quando conhecemos os recifes e seu povo os Metkaynas, muito dessa vida marinha nos foi apresentada, algo que foi aprofundado nesse filme, e claro que o Povo das cinzas também ganhou espaço para sua apresentação e exploração visual.
Antes, preciso falar que diferente do segundo filme, esse é um filme com muito mais ação e muito mais humor que seus antecessores.
James Cameron brilha ao dirigir essas sequencias de ação.
Sua qualidade enquanto realizador dispensa comentários, qualidade que fica nítida em tela na forma como toda essa ação é entregue, belas coreografias, contundência nas ações, noção clara de posição e geografia.
E tudo isso orquestrado por um trabalho sonoro que deve render indicações ao filme na temporada de premiações.
Já sobre o humor, o filme tem várias tiradas, vários momentos de alivio cômicos que realmente funcionam e ficam ainda melhores se você assistir a versão dublada.
A única atuação que realmente merece ser citada é a de Stephen Lang como Miles Quaritch.
ainda que o personagem pareça perdido numa jornada que faz muito pouco sentido com o resto da história, a entrega e o carisma de Lang roubam a cena.
E cabe ressaltar novamente a dublagem nacional deixa tudo ainda melhor, como uma performance excelente do grande Luiz Carlos Persy.
Aviso de Spoilers
Uma pena que a lista de coisas boas que Avatar Fogo e Cinzas tem, se limite as poucas linhas que lemos acima.
Na realidade esse filme, nada mais é do que um grande compilado ao estilo “mais do mesmo” de tudo o que vimos nos dois filmes anteriores. Sobretudo ele é quase uma parte 2 de “O Caminho da Água”.
Repete praticamente tudo o que foi apresentado no segundo filme, até mesmo a batalha final é uma repetição da batalha final daquele filme.
Um filme que se chama Fogo e Cinzas, e que se passa a maior parte do tempo na água??!!
E pior dedica muito pouco tempo a explorar o Povo das Cinzas, e seus cenários, ao invés de combates em cenários vulcânicos, recheados de lava incandescente, fogo, fumaça, o que vemos é mais água.
O pouco que é apresentado do Povo das cinzas, é realmente interessante, eles têm uma cultura diferente, uma posição religiosa, e uma forma de se conectar com a natureza de Pandora bem distinta do que já vimos anteriormente.
E até mesmo sua maldade e violência, tem uma boa explicação, e dão um tom diferente a história, pena que são aspectos muito mal explorados pelo roteiro.
Varang sua líder, além de visualmente ser uma personagem interessante, possui um bom background, porém sofre com um desenvolvimento raso, e motivações que não se conectam a história e geram uma atmosfera de artificialidade a um roteiro já bem empobrecido.
Esse é um filme com mais de três horas, e apesar do filme pode não repetir as longas sequencias contemplativas e tediosas do seu antecessor, sofre com as repetições de enredo, uma edição truncada e confusa em vários momentos.
No mínimo que o filme inova, é na verdade uma continuação chata e mal ajambrada do arco de Spider (Jack Champion), com algumas poucas novidades.
Novidades que de certa forma importam para a resolução do arco central do filme, mas que assim como todo o roteiro, não passa ileso pela enxurrada de furos, repetições e monotonias que marcam Avatar 3.
Fim dos Spoilers
Avatar Fogo e Cinzas é visualmente um primor, tem ótimas sequencias de ação, uma trilha sonora que cumpre com maestria seu papel, e certamente deve figurar nas temporadas de premiação pelo trabalho brilhante de som e efeitos visuais.
É correto afirmar que é um filme vazio e monótono em boa parte do tempo, que repete pontos chave dos anteriores , com roteiro fraco, e que claramente não tem estofo para que a narrativa se sustente ao longo das mais de 3hs de filme.
Não está em xeque a qualidade de James Cameron enquanto diretor, tão pouco a sua qualidade de ser um exímio contador de histórias (Aliens, Titanic, Exterminador do futuro 1e 2 não me deixam mentir).
Porém, mesmo alguém do calibre de Cameron, pode acabar preso dentro de sua própria formula, perdendo toda a coerência e emoção de sua história no processo, o que é realmente uma pena!

Sobre o Autor
Membro vitalício da Ordem dos Dúnedain, está nesse negócio de nerdices e Cultura Pop muito antes de Canção dos Ainur ser cantada. Criador desse espaço como ponto de exposição e opinião de tudo o que rola no Universo da Cultura Pop, além de exercitar seu amor pelo Cinema, Quadrinhos, Games e muito mais...












