
Poucos diretores da atualidade tem uma assinatura visual tão única e marcante como Guillermo Del Toro.
Sua filmografia é naturalmente reconhecida tanto pela habilidade do diretor em construir mundos fantásticos, visualmente lindos, reais e imersivos, quanto pela habilidade em contar boas histórias, sobretudo histórias de horror.
O melhor dos mundos é quando o diretor consegue juntar na mesmo longa essas duas características tão marcantes, O Labirinto do Fauno (2006), A Forma da Água (2017) e o próprio Hellboy (2004) são exemplos disso.
De modo que, o anúncio de que uma nova adaptação de Frankenstein, o icônico best-seller de Mary Shelley, que ultrapassa gerações se segue sendo uma das melhores histórias do gênero já publicadas, ganharia vida através da visão única de Del Toro, gerou uma enorme expectativa.
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Com roteiro e direção de Guillermo Del Toro, e nomes como Oscar Isaac (Ex-Machinna), Mia Goth (Pearl), Jacob Erlodi (Euphoria) e Christopher Waltz (Bastardos Inglórios), Frankenstein chegou no início de novembro de 2025 na Netflix, justamente quando esse que vos escreve decidiu ressuscitar esse espaço para me expressar sobre as produções e os eventos do Universo da Cultura Pop.
Me chama a atenção a fidelidade em relação ao material original, o romance Mary Shelley, sem sombra de dúvida uma das obras literárias mais relevantes de todos os tempos, fidelidade essa não só aos eventos da história, mas a estrutura narrativa, inclusive entregando os pontos de vista de Victor Frankenstein e da Criatura, detalhe que deixa a obra de Mary Shelley ainda mais brilhante.
As principais discussões sobre ética, moralidade e principalmente humanidade, presente na obra original, também se fazem presentes nessa versão mais intimista de Del Toro, reverberam através dos diálogos dos personagens, na sua construção e sobretudo na maneira como a relação entre eles é estabelecida.
Del Toro sempre foi hábil em construir alegorias através de suas representações fantásticas, quem não se lembra do Homem Pálido de O Labirinto do Fauno, e sua representação da repressão à liberdade de expressão, ou mesmo o “Homem Peixe” de A Forma da Água, uma alegoria à perseguição e preconceito aos estrangeiros, discussão tão presente na vida de Del Toro.
Aqui não é diferente, através primeiramente da loucura egocêntrica do cientista em “brincar de Deus” ao criar vida, passando pela criatura, a sua inocência em lidar com o mundo que o rejeita apenas por ser diferente, reverberando as consequências, não só para os dois protagonistas, mas para vários outros personagens que orbitam em torno desses acontecimentos.
Da mesma forma que Del Toro usa a metalinguagem de “ A Forma da Água” para homenagear o cinema, em Frankenstein é a vez do diretor declarar seu amor pelo horror, pela fantasia, para a imperfeição de suas monstruosidades.
O próprio Del Toro declarou que esse não é um filme de terror, e é muito provável que não seja, ele nasce do terror para contar uma história muito mais próxima do Divino.
Visualmente falando o filme atende as expectativas, é lindo grandioso, os cenários são ao opulentos, que uma atmosfera gótica, que ao mesmo encanta e oprime, cenograficamente falando, o próprio Del Toro já havia feito algo parecido em “A Colina Escarlate”.
No que se refere as atuações, enquanto Oscar Isaac mantém a qualidade de sempre como Victor Frankenstein, Waltz e Mia Goth são coadjuvantes de luxo de quem eu sinceramente esperava mais tanto em importância na trama quanto em atuação, mas é Jacob Elordi quem realmente brilha dando vida à Criatura.
É uma atuação carregada de inocência, dor, amor e sofrimento, o olhar e o gestual são igualmente poderosos, tanto nos momentos de dor, quanto nos de ira e violência, e ainda que o visual da Criatura se afaste um pouco da versão literária, e esteja muito distante do que imaginário da Cultura Pop estabeleceu, a imagem da Criatura de Elordi é único, bem feito e coerente com a maneira como a criatura é criada na versão de Del Toro.
Frankenstein é um filme à altura da obra original, é Guillermo Del Toro dando não só corpo, mas coração e alma à uma história que ainda tem muito a dizer e muito a ensinar sobre humanidade, e o que é mais triste, permanece ainda muito necessária nos dias atuais.
Sobre o Autor
Membro vitalício da Ordem dos Dúnedain, está nesse negócio de nerdices e Cultura Pop muito antes de Canção dos Ainur ser cantada. Criador desse espaço como ponto de exposição e opinião de tudo o que rola no Universo da Cultura Pop, além de exercitar seu amor pelo Cinema, Quadrinhos, Games e muito mais...







