
Dinheiro Suspeito é a mais nova adição ao catálogo da Netflix que, convenhamos não costuma ser conhecido pela qualidade de suas produções originais.
Mas não deixe o título em português absolutamente genérico lhe enganar, Dinheiro Suspeito (The Rip, no original) é um daqueles filmes policiais memoráveis, quer seja pelo elenco, pela trama, ou/e principalmente seu desfecho.
Primeiro vamos ao elenco, novamente vemos aqui reeditada a parceria Matt Damon & Ben Affleck. O primeiro é Dale um policial recém promovido a comandante de uma equipe exposta e sob investigação de corrupção, depois do assassinato da Comandante anterior. Ele mesmo sofre um dilema pessoal depois de vivenciar uma tragédia terrível na vida pessoal.
Já Affleck é J.D., segundo em comando na unidade de Dale, que tem um envolvimento e logo um interesse pessoal em descobrir quem e o que motivou o assassinato da antiga Capitã e comandante de sua unidade.
Completam o elenco Steven Yeun (The Walking Dead), Kyle Chandler (Godzilla Rei dos Monstros), Catalina Sandino Moreno (From), Sacha Calle (The Flash) além da vencedora do Globo de Ouro Teyana Taylor (Uma batalha após a outra).
Chamou minha atenção a quantidade de bons atores vivendo personagens coadjuvantes, mas o que acontece é que os coadjuvantes nessa história, tem espaço, relevância na movimentação da trama, e tempo de tela para seu desenvolvimento, espaço para compreendermos dilemas e motivações.
Sobre a história (que é surpreendentemente baseada em fatos) Joe Carnahan que escreve e dirige o filme, entrega uma trama daquelas, um suspense policial denso, onde nada realmente é o que parece ser, com reviravoltas e mais reviravoltas inteligentes e surpreendentes.
Não fica devendo nada a outros bons filmes do gênero como O Plano Perfeito, Os Reis da Rua e SWAT.
Ao mesmo tempo em que trabalha a tensão e o mistério, o texto de Carnahan abre espaço para humanizar seus personagens, com motivações e dilemas normais ao nosso cotidiano.
A dificuldade de pagar as contas do mês, de conciliar trabalho, família e vida pessoal, além dos obstáculos impostos pela profissão e pelo sistema, já que ao que parece ser policial na Terra do Tio Sam, é tão difícil quanto exercer a profissão aqui no Brasil .
Toda essa história é pautada na moralidade, no dilema de se manter incorruptível diante de um sistema sujo e corrupto, e aí que o filme brilha.
Com boas atuações e ótimos diálogos, o filme cria uma atmosfera de absoluta tensão, enquanto a história nos leva por caminhos tortuosos, nos levando a duvidar da índole e das intenções dos personagens.
Essa duvida vai e vem ao longo do roteiro, nada é o que realmente parece ser, e a surpresa no final vem de forma absolutamente inteligente e coerente, e entrega um final que pessoalmente me deixou muito satisfeito.
E por mais que a ação de verdade venha lá pela metade do filme (o que não chega a ser um problema graças a qualidade dos diálogos, e principalmente a ótima construção de tensão), e quando ela vem ela não decepciona.
O que chama a atenção nas cenas de ação é a coreografia, que remete mais as lutas e tiroteios reais, deixando de lado movimentos plásticos e cheios de estilo, comuns de filmes desse gênero.
O ponto negativo aqui fica para a escuridão nas cenas noturnas de ação, já vimos em várias produções que é sim possível fazermos sequencias de ação perfeitamente visíveis a noite.
Mesmo que seja um recurso para intensificar as sensações de medo, incerteza e insegurança que o filme transmite, mas ainda sim, as cenas poderiam ser mais claras.
A trilha sonora é assinada por Clinton Shorter, responsável pela memorável trilha de “Distrito 9”, porém, aqui o compositor se mostra bem menos inspirado, apesar de cumprir bem seu papel em enfatizar as emoções postas em cenas, é uma trilha bem mais genérica e comum que o memorável trabalho de Shorter.
Uma ótima história cheia de reviravoltas , um elenco de respeito que entrega ótimas atuações, narrativa fluida e boas sequencias de ação, Dinheiro Suspeito é um ótimo filme de ação, daqueles memoráveis que de tão bom nem parece um original Netflix.

Sobre o Autor
Membro vitalício da Ordem dos Dúnedain, está nesse negócio de nerdices e Cultura Pop muito antes de Canção dos Ainur ser cantada. Criador desse espaço como ponto de exposição e opinião de tudo o que rola no Universo da Cultura Pop, além de exercitar seu amor pelo Cinema, Quadrinhos, Games e muito mais...






